Cachaça – Guia Completo para Iniciantes (2021)

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É hora de admitir, não há quem já não conheça a cachaça. Mas poucas pessoas realmente sabem o que torna essa bebida um dos patrimônios do Brasil.

Apesar do nome e da figura popular, a verdadeira cachaça é uma iguaria refinada, e, inclusive, existem profissionais que se especializam na bebida, como sommeliers.

Além do sabor apreciado em todo o mundo, ela também é parte fundamental da história brasileira, com grande importância histórica e representativa.

Por isso, hoje nós preparamos um guia completo sobre a cachaça, para os iniciantes conhecerem a fundo essa bebida.

Vamos lá!

O que é a cachaça?

Basicamente, é um aguardente da cana de açúcar, produzida a partir da fervura do melaço.

Embora tenha nomes populares, como pinga ou cana, a cachaça verdadeira deve passar por um intenso processo de refinamento, para ter o aspecto original da bebida.

Como o Brasil é um dos líderes na produção de cana de açúcar, essa bebida também é bastante produzida por aqui.

Por conta de sua história, a cachaça se tornou um símbolo famoso, ganhando o mercado de todo o mundo com diferentes receitas.

História da cachaça

Assim como o México tem tequila e a Rússia tem vodka, nós temos a cachaça. Essa bebida se tornou um dos patrimônios do Brasil, especialmente por sua trajetória em nosso país.

Muito mais que apenas uma aguardente de cana, a cachaça é um símbolo cultural de resistência e história.

Na época dos colonizadores, em meados de 1600, eram os africanos escravizados que mantinham as fazendas de produção de açúcar. Em péssimas condições de trabalho, precisavam moer e destilar a cana, principal cultura econômica da época.

história da cachaça

No entanto, apesar de não terem conhecimento técnico, foram eles os descobridores dessa bebida.

O procedimento químico de destilação e fermentação faz com que o melaço se transforme em um líquido etílico. Ou seja, com presença de álcool. Uma vez que o bagaço era esquentado, ele começava a produzir uma espuma, que, depois, era evaporada.

Para não prejudicar a produção, os escravos precisavam eliminar essas primeiras camadas, para conseguir um açúcar refinado e de qualidade.

A primeira espuma, que subia na superfície, deveria ser dada aos porcos, mas descobriram que seu sabor era bom, e os escravos começaram a consumi-la em segredo.

Foi então que surgiu o nome “cachaça”, o feminino de “cachaço”, como se referiam aos porcos na época.

Anos depois, os portugueses descobriram o sabor e a qualidade daquele produto criado da cana. Assim, a bebida se popularizou por toda a Europa, levada pelos colonizadores até sua terra natal.

Mas a cachaça ficaria conhecida por toda a história como símbolo dos escravizados. Inclusive, até os dias de hoje, essa bebida possui um apelo popular, sendo extremamente acessível para todos.

DICA: Você pode aprofundar os seus estudos sobre a história da cachaça com o livro “Cachaça: História, Gastronomia e Turismo” de Jairo Martins. Um ótimo exemplar sobre o tema.

Caso você queira conhecer um pouco mais sobre a história dessa bebida incrível, pode assistir esse vídeo abaixo que é praticamente um doutorado sobre o tema:

Cachaça é igual a pinga?

Apesar de muitos considerarem os nomes como sinônimos, a verdadeira cachaça e a chamada pinga não são a mesma bebida.

Isso porque a pinga é uma modificação da receita original, adaptada para venda barata e em larga escala.

Assim, a pinga leva uma série de processos químicos, para fazer com que sua composição tenha mais validade. Enquanto isso, a sua irmã maior é uma bebida refinada, extraída diretamente da fermentação da cana de açúcar. Por isso, não pode sofrer nenhuma interferência química.

Claro, por terem a mesma base de produção, seus gostos são similares. Mas, depois de experimentar ambas, mesmo os iniciantes serão capazes de apontar as diferenças nas duas bebidas.

Em resumo, a pinga é uma versão mais comercializada da cachaça, não sendo possível uma reprodução caseira.

Mas você sabia que a verdadeira fermentação do melaço pode ser feita em casa? Com o livro “Como Fazer Cachaça em Casa” você aprende todo o processo de maneira simples, e pode fazer sua própria bebida.

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Se você pensa que cachaça é água, cachaça não é água não! Fique atento para a cor e a viscosidade do líquido, para identificar a bebida verdadeira (Foto: Reprodução)

Principais Características da Cachaça

Mesmo que a cachaça se origine da cana de açúcar, essa bebida não possui traços doces em sua composição.

Isso acontece por conta dos processos químicos que envolvem sua origem. Uma vez que se aquece o melaço, o açúcar se transforma em etanol. Quanto mais etanol, menor a presença de açúcar.

Por esse motivo ela tem fama de ser uma das bebidas brasileiras mais fortes, com um sabor marcante de álcool.

É comum que as pessoas descrevam o líquido como uma “queimação na garganta”, justamente por seu corpo mais intenso. Além disso, ao contrário do que se imagina, a verdadeira cachaça possui coloração mais amarelada, e não transparente.

Ela também não é completamente líquida, possuindo uma certa viscosidade, especialmente se passar por um longo período de envelhecimento.

Ainda, sua característica mais amarga torna essa bebida ideal para a composição de drinks. Não à toa, ela é o principal ingrediente do drink brasileiro mais popular: a caipirinha.

No entanto, existem diversas outras possibilidades de harmonização e sabores. Se você estiver realmente focado em aprender sobre as várias faces dessa bebida , pode conferir o livro 66 Drinks com Cachaça, com dezenas de receitas práticas para aproveitar a sua pinga com estilo.

Dica 2: A Cozinha tem um artigo aqui no site falando sobre outros tipos de harmonização de bebidas. Para ler depois, clique aqui.

Cachaça é bom para gripe?

Infelizmente não. Essa dúvida não é incomum, desde a gripe espanhola existem boatos que cachaça é bom para a gripe mas isso não passa de um boato popular.

Desde março de 2020 as pesquisas sobre esse tema aumentaram muito no Google devido a pandemia, porém, não existe comprovação científica nenhuma que cachaça combate a gripe.

Existem algumas terapêuticas que indicam o uso de álcool como agente compensador em tratamentos muito rígidos (como negociar uma taça de vinho por dia para que o paciente possa se sentir mais tranquilo em seguir com uma restrição maior).

Mas isso não tem nenhuma comprovação científica e não passa de um artifício de tratamento.

Portanto se alguém vier com o assunto que cachaça é bom para gripe, sorria e acene mas lembre-se que isso não é verdade.

O que saber antes de comprar cachaça

Iniciantes podem não reconhecer a cachaça verdadeira no momento da compra. Por isso, é importante prestar atenção em algumas dicas antes de levar uma garrafa.

Registro

Antes de mais nada, verifique se o rótulo da garrafa possui um número de registro no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Isso significa que sua produção seguiu todas as regulamentações, e possui controle de qualidade.

Esse é o primeiro passo para garantir que aquela cachaça é a verdadeira, ou, pelo menos, segue os padrões determinados pelos órgãos de fiscalização.

Envelhecimento

Ainda no rótulo, é possível conferir se o tempo de envelhecimento da bebida. Geralmente, a cachaça é armazenada em barris, passando por uma maturação.

Essa não é, exatamente, uma exigência antes de comprar uma garrafa, mas é interessante buscar bebidas mais velhas.

Dessa forma, o sabor estará mais apurado, e, com isso, a experiência será ainda mais completa. Além disso, é um consenso entre especialistas que bebidas mais envelhecidas adquirem um aspecto mais refinado.

Por isso, procure saber o tempo de produção e armazenamento da cachaça antes de levá-la.

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Como outras bebidas refinadas, a cachaça também pode passar pelo processo de envelhecimento em barris, o que apura seu sabor (Foto: Reprodução)

Aroma

O aroma é um ponto crucial para determinar a qualidade da sua cachaça. Isso porque, mesmo com a presença marcante do álcool, suas notas não devem ser agressivas.

Ao contrário da pinga, por exemplo, que faz com que o nariz arda e os olhos lacrimejam, muito por conta da química envolvida na fabricação.

Enquanto isso, a cachaça deve ter um aroma agradável, suave e discreto. Também é comum que apresentem toques de madeira, por conta do envelhecimento em barril.

Se a bebida estiver com um cheiro marcante, mas tiver rótulo de cachaça original, fique atento.

Viscosidade

Por fim, como mencionamos, a cachaça não deve ser muito líquida, como a pinga e outros derivados, por exemplo.

Em vez disso, precisa ter certa viscosidade do processo, além de uma cor mais amarelada. Assim, é fundamental observar como a bebida sai da garrafa.

Ela deve ter uma descida mais demorada, com um aspecto que lembra o mel, por exemplo, porém mais líquido. Ou seja, se a bebida cair muito rapidamente, ou lembrar água, então não é uma cachaça verdadeira.

Ainda, é comum entre especialistas o hábito de chacoalhar a garrafa antes de beber. Se o líquido soltar algumas bolhas no copo, significa que é um produto de qualidade.

As 10 melhores Cachaças do Brasil – Categoria Ouro – III Ranking da Cachaça

A cachaça está em alta no mundo todo, os níveis de qualidade sobem mais a cada dia e já existem cachaçarias produzindo bebidas incríveis capazes de rivalizar com os melhores destilados em todo mundo. Segue a lista das 10 melhores cachaças do Brasil feita pelo III Ranking da Cachaça que contou além da análise dos especialistas com o voto popular de mais de 40 mil pessoas na primeira fase.

Vale Verde 12 anos [1]

Magnífica Reserva Soleira [2]

Companheira Extra Premium [3]

  • Origem: Jandaia do Sul (PR)
  • Nota: 87,3
  • Madeira: Carvalho (8 anos)
  • Preço: R$ 285,60 (700ml)

Sebastiana Carvalho [4]

  • Origem: Américo Brasiliense (SP)
  • Nota: 85,6
  • Madeira: Carvalho Americano (Mínimo 3 anos)
  • Preço: R$ 156,50 (500ml)

Weber Haus Extra Premium [5]

  • Origem: Ivoti (RS)
  • Nota: 85,5
  • Madeira: Carvalho Francês (5 anos) + Bálsamo (1 ano)
  • Preço: R$ 199,00 (750ml)

Weber Haus Amburana [6]

Casa Bucco Envelhecida [7]

  • Origem: Bento Gonçalves (RS)
  • Nota: 84,5
  • Madeira: Carvalho e Bálsamo (6 anos)
  • Preço: R$ 129,20 (750ml)

Leandro Batista [8]

  • Origem: Ivoti (RS)
  • Nota: 84,2
  • Madeira: Amburana, Bálsamo, Canela Sassafrás (1 ano cada)
  • Preço: R$ 113,40 (750ml)

 Middas Reserva [9]

  • Origem: Adamantina (SP)
  • Nota: 84,1
  • Madeira: Carvalho Francês/Americano e Amburana (2 anos)
  • Preço: R$ 378,00 (700ml)

Canarinha [10]

As 10 Melhores Cachaças do Brasil 2020/2021

A Cúpula da Cachaça divulgou os finalistas da edição de 2020/2021 das melhores cachaças do país. As grandes finalistas estão na categoria Premium/Extra Premium.

Antes de chegar a fase final do ranking, o concurso passou por duas fases. Na primeira 33 mil eleitores escolheram entre todas as cachaças a venda no mercado, as 250 mais queridas do Brasil.

A seguir, essas cachaças foram filtradas por um painel de 52 especialistas que definiram as finalistas. Vamos a elas:

Companheira Envelhecida 8 Anos [1]

Campeã do Ranking Geral

Caraçuípe Extra Premium [2]

Sapucaia 18 Anos [3]

Dom Bré Extra Premium Carvalho [4]

  • Origem: Guarani (MG)
  • Nota: 85,07
  • Preço: R$ 149,00

Casa Bucco Extra Premium [5]

Magnífica Reserva Soleira [6]

Vecchio Albano Extra Premium [7]

  • Origem: Torrinha (SP)
  • Nota: 82,00
  • Preço: 73,90 (500ml)

Sebastiana Carvalho Single Barrel [8]

Engenho São Luiz Extra Premium [9]

Sebastiana 2 Barricas [10]

Por que aprender sobre a cachaça?

Pode parecer que a cachaça é apenas mais uma bebida alcoólica, mas, na verdade, ela é muito mais que isso. Sua história e importância a tornam um símbolo do nosso país, e, por isso, é importante que apreciemos ela do jeito certo.

Além disso, quanto mais informações você tiver sobre essa bebida, melhor será sua experiência. Você será capaz de distinguir produções de qualidade, e aproveitar o sabor original da verdadeira cachaça.

Por isso, procure analisar esses fatores da próxima vez que for beber uma caipirinha, por exemplo, e ver todos os aspectos do drink e as diferenças dele para outras bebidas.

Dessa forma, além de reconhecer uma cachaça de qualidade, também estará se tornando um especialista no assunto!

Me chamo Andre Raittz, sou formado em comunicação social e nutrição mas sonho em um dia viver da gastronomia. Seja escrevendo, publicando ou cozinhando... é nesse segmento que eu me encontro de verdade. Já trabalhei como fotógrafo, radialista, redator, nutricionista e diretor de marketing... Hoje, vivo um dia de cada vez tentando fazer o que eu gosto. Seja bem vindo ao meu mundo.

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