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Gastronomia, ingredientes e cozinha de casa, por Andre Raittz

Temperos e Insumos

Rámen ou Lámen? O que é esse famoso prato 2 em 1?

Publicado em 27 de dezembro de 2020 · revisado em 15 de outubro de 2026

Ramen (ou lamen, como mais se escreve no Brasil) é uma tigela de macarrão de trigo servida em caldo, temperado com sal, shoyu ou missô. O nome vem do chinês lamian, e o prato chegou ao Japão levado pelos próprios chineses no século 19, mas só se espalhou de vez depois da Segunda Guerra, quando os Estados Unidos enviaram toneladas de trigo ao país.

Você já ouviu falar sobre o rámen? O prato tem ganhado popularidade e atualmente é um dos mais novos queridinhos nos restaurantes mais badalados de São Paulo, sendo muito apreciado pelos mais diferentes paladares. Mas afinal, do que se trata o rámen e qual a sua origem? Vamos descobrir?

O rámen também pode acabar sendo mencionado como lámen em alguns locais a depender da sua fonte de busca, consiste em um prato de origem chinesa que se popularizou muito em nosso país e sobre o qual eu quero que você conheça todas as principais características.

Conhecendo a origem do rámen 

O rámen, lámen, lamien ou ainda lamian (essas das formas são as maneiras como originalmente o produto fora escrito para o português) consiste em uma invenção chinesa. Infelizmente, não se há registros sobre o período estimado em que o prato teria surgido.

Chegou ao Japão pelas mãos dos próprios chineses em meados do século dezenove, mas só se popularizou de vez depois da Segunda Guerra Mundial.

A história na qual o rámen se tornou popular no Japão chega a ser bem curiosa, para não dizer cinematográfica. Embora tenha chegado em meados do século dezenove ao Japão através dos chineses, somente se tornou popular no pós-guerra. Por causa da escassez de comida enfrentada pelos nativos do país.

Com a falta de alimentação suficiente para satisfazer toda a população, os Estados Unidos enviaram para o Japão toneladas de trigo. 

O governo japonês incentivou a população na produção e no consumo de macarrão de trigo, algo que não era comum para a população na época. Assim o rámen ou lámen progressivamente foi se popularizando por ser uma alternativa extremamente barata.

Na época, o rámen utilizava em sua composição o macarrão produzido com o trigo advindo dos Estados Unidos, legumes, e cortes desvalorizados da galinha, como pés e a própria carcaça em si, além de muita água.

Rámen ou Lámen? O que é esse famoso prato 2 em 1?

Mas afinal, se trata de rámen ou lámen?

No Brasil você possivelmente vai encontrar às duas nomeações para se referir ao mesmo prato. O fato é que a pronúncia de lamian em japonês se faz rámen e por isso acabou sendo feita a adoção de ambas as expressões para nos referirmos ao mesmo prato. Todavia, o mais correto seria de fato o uso da expressão rámen para o português falado e de lamian para o escrito.

Lámen se refere, sobretudo, ao processo de produção do referido prato chinês e não japonês, mas no final das contas ambos são bem semelhantes, um bowl (podemos ler aqui uma pequena tigela arredondada, se isso deixar mais fácil para que você visualize o prato), com o macarrão de trigo e muita água, como anteriormente fora feita. Essa água compõe o caldo característico do prato.

O tempero do seu dashi

Dashi consiste no nome dado ao caldo que compõe o rámen. Ele pode ser natural ou industrializado. E essa acaba sendo a grande divisão entre eles, alguns outros chefs propõem igualmente a divisão de dashi temperado com sal, com shoyo, e igualmente o dashi temperado com miso que seria uma mistura de pasta de soja e arroz fermentados. Mas o fato é que a questão vai muito além disso.

Há chefs japoneses que fazem seus caldos totalmente artesanais buscando enriquecê-los com legumes, shitake, kombu (um tipo de alga marinha), e por vezes ossos também. Enquanto outros optam pelo uso de produtos industrializados como realçadores de sabor, corantes e muita gordura.

Além dessa questão, os caldos também se dividem em caldos leves e caldos pesados. No caso dos caldos leves, igualmente denominados de caldos assari, eles são feitos com menor tempo de preparo e há uma predominância de legumes, algas e peixes, e são de fato caldos mais leves, claros e finos.

Os caldos pesados e grossos, denominados de kotteri, levam mais tempo para ficarem prontos e são efetivamente mais pesados, densos e com aspecto gelatinoso, igualmente possuem uma maior concentração de gorduras.

Rámen ou Lámen? O que é esse famoso prato 2 em 1?

Voltamos a questão do sal, shoyo, o do miso

Por fim, voltamos a questão do sal, do shoyo e do miso. Eles são unicamente o tempero do caldo e devem ser resumidos como os protagonistas do caldo. 

Após o caldo estar pronto, podendo ele ser natural ou industrializado, leve ou pesado, feito com a maior presença de legumes ou gordura vamos temperá-lo com sal, shoyo ou miso.

O sal se faz o tempero mais comum e tradicional, todavia, acaba sendo o menos utilizado, sobretudo, na China. O shoyo que faz muito sucesso por aqui acaba sendo um tempero bem utilizado nas cidades japonesas de Kanto e Tokyo.

Vale destacar que o shoyo consiste no mais popular molho de soja. O miso, por sua vez, é uma pasta de soja fermentada com arroz e tem o seu uso sido acrescido aos rámens progressivamente há pouco tempo. 

Seu uso se popularizou, sobretudo, na ilha de Hokkaido por suas baixas temperaturas. Sendo um excelente tempero para os rámens pesados por sua consistência mais grossa.

Os rámens pesados são boas opções para aquecer.

Rámen ou Lámen? O que é esse famoso prato 2 em 1?

O macarrão que integra o rámen 

Falei tanto do caldo e dos temperos que compõem o rámen, mas não poderia deixar de falar do macarrão, ou men que é igualmente importante para a receita. Ele consiste em uma massa feita de trigo e que se popularizou no pós-guerra com a doação do trigo norte-americano. Mas vamos ver mais algumas características dele?

Hoje existem muitos tipos de men em todo o Japão, mas ainda o mais comum e apreciado para o preparo do rámen se faz o macarrão feito apenas com três ingredientes simples, são eles o trigo, o sal e o kansui. O kansui consiste em uma água composta por carbonato de potássio e carbonato de sódio.

Por seu uso no refinamento em drogas, o carbonato de potássio não pode ser comprado pelo consumidor final no Brasil. Dessa forma, é um produto dificilmente encontrado em nosso país.  

Se você quiser conhecer a história de um dos maiores chef de Rámen do mundo, assista ao episódio do Ivan Orkin na série Chefs Table da Netflix. Nele você pode conhecer um pouco mais sobre a vida de quem dedica a vida a esse prato.

Gostou de saber mais sobre o rámen? Então não deixe de acompanhar os demais artigos do blog, tenho muitas outras novidades para você!

Lamen é chinês ou japonês?

As duas coisas, em tempos diferentes. O nome vem do chinês lamian (拉麵, "macarrão puxado"), e foram cozinheiros chineses que levaram a sopa de macarrão ao Japão. Mas o prato que o mundo conhece como ramen se formou no Japão: a primeira casa especializada, a Rairaiken, abriu em 1910 no bairro de Asakusa, em Tóquio, com cozinheiros cantoneses vindos da Chinatown de Yokohama.

Por isso o nome mudou com o tempo. Primeiro o prato foi chamado de shina soba, depois de chūka soba (as duas expressões querem dizer "macarrão chinês"), e só no pós-guerra o nome ramen se firmou. Hoje ele é tratado como prato japonês, com estilos regionais próprios, assim como o sushi.

Quanto à grafia: ramen, rámen, lamen e lámen são o mesmo prato. No Brasil, lamen é a forma mais buscada no Google, e ramen vem logo atrás.

Os 4 tipos de ramen: shio, shoyu, missô e tonkotsu

O que dá nome ao tipo de ramen é o caldo. Três tipos levam o nome do tempero (o tare) e um leva o nome da base do caldo:

Como shio, shoyu e missô são temperos, eles podem ser combinados com bases diferentes: existe, por exemplo, ramen de tonkotsu temperado com shoyu. Se quiser entender o papel do tempero concentrado na cozinha japonesa, veja o nosso molho tare.

O que vai por cima: as coberturas do ramen

Depois do caldo e do macarrão, a tigela recebe as coberturas, que mudam de casa para casa. As mais comuns são:

Nas casas de tonkotsu, existe ainda o kaedama: quem termina o macarrão pode pedir uma nova porção para colocar no caldo que sobrou, pagando um pouco a mais.

Lamen e miojo são a mesma coisa?

Não. O miojo é o macarrão instantâneo, uma invenção japonesa derivada do ramen. Ele foi criado por Momofuku Ando, fundador da Nissin, e chegou às lojas em 1958 com o nome de Chikin Ramen. O segredo era fritar rapidamente o macarrão já cozido, o que tira a água e faz ele durar meses na despensa. Em 1971 veio o Cup Noodles, já no copo.

No Brasil, Miojo é o nome de uma marca, hoje da Nissin, vendida no país desde 1965, que virou sinônimo de qualquer macarrão instantâneo.

O ramen de restaurante é outra coisa: macarrão fresco feito com trigo, sal e kansui (a água alcalina que deixa a massa amarelada e firme), servido num caldo que pode levar horas no fogo. Para conhecer outras massas e seus formatos, veja os tipos de macarrão.

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